27/02/2013

Chapada

Era o ano de 1984. Eu devia ter uns 8 anos. Estávamos na sala de aula. O professor era da velha guarda, daqueles que achava que as réguas passavam muito conhecimento através das mãos. As réguas serviam também para os miúdos se portarem melhor, apesar de alguns estarem constantemente a precisar dessas injeções comportamentais.

O professor estava no quadro a explicar a estrutura das frases. Aquela história do sintagma norminal e verbal... Quê? Pois, tive de ir ver porque já não me lembrava. Mas estava ele a explicar isso, e eu estava a ouvir com atenção, embora os meus olhos estivessem focados no caderno onde ia fazendo uns rabiscos. Ele achou que eu estava distraído e dispara:
- Eduardo, o que é que eu estava a dizer?
O meu coração acelerou. Sentia-o a bater por todo o corpo. Eu sabia a resposta, mas naquele momento bloqueei. Fiquei estático. Sem resposta.
O professor olha para o meu caderno e olha para mim. Não me deu mais tempo para responder. Puxa a mão atrás e trás! Que chapadão. Até fez piiiiiii, aquele feedback que ouvimos quando alguma coisa nos afecta os ouvidos.
Doeu muito, mas pior que a dor daquela mão adulta e grossa a embater na minha cara, foi a dor da situação, que não foi minimamente justa. Estavam todos os meus colegas a olhar para mim e chorei.

Olhando para trás agora, entendo que naquela altura era assim. Já na altura entendia. Nem conhecia outra forma. Não devia ser assim, mas era. E eu até apanhava poucas em relação à média.

E a prova de que as chapadas e as reguadas não ajudavam a aprender, é que a estrutura das frases ficou esquecida. Já a chapada... Nunca a vou esquecer.

E lembrei-me desta história quando vi este vídeo.

2 comentários:

  1. Há chapadas que doem mais pelas marcas que ficam do que pela chapada em si...

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    Respostas
    1. Sim, pelas marcas que não são visíveis.

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