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Random Explanation
Nenhuma estupidez pode ser entendida se houver lacunas quanto à integração do estúpido.
O estúpido, na pessoa do Rafael, é alguém assumidamente parvo. O Rafael não sabe ainda o que é ser gente e por isso ganhou o cognome supracitado.
Não pense o Leitor que uma alcunha desta envergadura se alcança de um dia para o outro, nada disso, o Rafael passou, ao longo da sua vida, por várias provações que reforçaram a ideia inicial da criança sem grandes chances de sobreviver num mundo onde a socialização é fundamental. É aliás na socialização que a estupidez do Rafael mais se exalta.
Desde cedo que o Rafael mostrou uma grande falha naquela coisa a que muitos chamam de “fazer amigos”. As culpas não podem ser atribuídas, mas se pudessem, a estupidez inata deste rapaz figuraria no topo das culposas.
Nascido no seio de uma nobre família, de raízes em ícones literários da língua portuguesa, Rafael nunca fez jus à sua herança intelectual, atacando-a com pujança e estupidez.
Descendente de um caixeiro-viajante que se deitava em todas as camas da Península Ibérica e Ilhas Britânicas, Rafael não legou, por ora, a capacidade do seu tetra-avô, um playboy totalmente equipado.
Recebeu, no entanto, genes britânicos que criaram nele uma estranha dileção pela Rainha Isabel II e um certo bem-querer pelo Reino Unido. Detentor de um inglês perfeito e de uma frieza bretã mais gelada que o mapa cor-de-rosa, Rafael reúne em si todas as apetências para se tornar num cidadão daquele Estado.
Portador de uma figura algo aterradora, Rafael nunca teve caminhos claros nas amarguras da socialização. Com falhas graves ao nível de toda e qualquer competência social, Rafael esteve largos anos sem saber o que era o outro. Não sendo, no entanto, o único na sua incestuosa família a carecer destas proficiências, é sem dúvida o caso mais grave e digno de registar.
Nados em berço de primos, todos os membros da família de Rafael possuem uma feição um tanto inibidora de tentativas de confabulação por parte dos outros indivíduos – o que, sem dúvida, fomentou as relações intrafamiliares – no entanto sempre conseguiram, com particular apetência, relacionar-se com o mundo exterior melhor que o jovem Rafael de então e de ora.
As dificuldades revelam-se, principalmente, no momento em que Rafael nasceu, dizem os médicos que o retiraram do ventre materno que o jovem Rafael limitou-se a olhar com ar altaneiro para aqueles que o trouxeram ao mundo, não proferindo um único som. Após um período de isolamento, regressou para perto da parentela que o acolheu com receio – as diferenças entre Rafael e o resto da família serrana eram evidentes.
Integrado com dificuldade no seio de uma família de parentes de Camilo Castelo Branco, Rafael lidou desde cedo, com racismo e antissemitismo. Convertido à força ao catolicismo (religião que abandonou assim que vieram as primeiras poluções noturnas), Rafael cumpria todos os rituais que aquela religião preceitua.
Cresceu no meio dos carris da Linha de Sintra, Rafael sempre conheceu o mundo do crime, especialmente o lado da vítima. Chegando a ser assaltado cerca de 8,3 vezes por dia, facto que, pode ter contribuído para o seu asco a nados africanos.
Já aos oito anos o Rafael mostrava uma completa ignorância pelo bem-estar dos outros, seguindo, devagarinho os passos de um qualquer serial killer. Como exemplo podia citar aquela vez em que o jovem Rafael atirou o primo de um muro abaixo, abrindo-lhe o crânio, mas isso seria uma minimização da atitude altiva que este indivíduo sempre demonstrou para com o outro.
Filho de um pai ausente e alcoólico, o jovem Rafael cresceu num ambiente propício à falha, uma incubadora de estupidez indissociável à personagem de que falo. Apanhou a sua primeira bebedeira aos dez anos, com o primo cuja cabeça havia sido esmagada contra o cimento, indo aproveitar o alcoolismo para as praias da Linha de Cascais numa madrugada do Verão de 2005.
O comportamento errático de Rafael não se limita a cabeças partidas e garrafas de bebidas espirituosas na Praia dos Pescadores, o jovem Rafael sempre gostou de ir mais longe, chegando mesmo a níveis próximos das recomendações de internamento em instituições psiquiátricas.
Manipulador, incongruente e um tanto ou quanto burro, o Rafael nunca foi bem-sucedido nas suas investidas contra a dura vida da socialização. Mesmo apesar da sua inata capacidade de, através das palavras, fazer os outros acreditar que sabe do que fala, mesmo quando nada diz, Rafael teve problemas com jovens mais velhos e de maior porte que o violentavam nos corredores da sua escola suburbana.
Na amaritude de uma infância violenta, Rafael volta-se para o mundo rural como último reduto de manumissão, falhando, no entanto, nas provas básicas do dia-a-dia campesino, especialmente na clara estupefação perante a proveniência do faveco.
Fazendo amizades com gentes da terra, Rafael demonstra sempre complexos de superioridade face aos seus pares, saindo apenas traído pela sua própria estupidez. Chegando a perder as dileções criadas ao longo do tempo.
Não se saindo mais ditoso no campo do amor, Rafael tem desilusões causadas, talvez, pela sua estranha abordagem a este sentimento tão nobre.
Dotado de uma particular ausência de romantismo, Rafael, ao contrário da sua terra natal, não vinga neste mundo amoroso, chegando mesmo a fazer declarações amorosas – obviamente sem sucesso – nos chats de famosas redes sociais.
Com uma escrita singularmente semelhante à de tantos outros, Rafael destaca-se pela ironia ausente e tentativas frustradas de fazer composições textuais coerentes. Deixando insultos aos professores em testes e outros momentos de avaliação formal.
Detestado por uns, odiado por tantos outros, Rafael é sem dúvida um rapaz único, nem tanto em talento, mas em doses de estupidez concentradas.
Com uma estupidez congénita e um sentido de humor quimérico, Rafael tenta dizer em muitas palavras aquilo que não tem para dizer. Numa clara tentativa de imitar os mestres do humor do século XXI, Rafael surripia descaradamente chalaças de Ricardo Araújo Pereira, atuando incessantemente para fazer com que estas sejam um insulto a Nuno Markl, o seu ódio de estimação.
Autointitulando-se o criador do primeiro blogue trilingue exclusivamente em língua portuguesa, o quadro clínico de Rafael alastra-se para lá da realidade, contaminado também o blogue, retrato perfeito da atormentada mente do autor.
Génio literário ou simplesmente um cómico incurável, Rafael ambiciona chegar a uma destas categorias através de qualquer meio, não temendo usar os outros, fazendo-os sofrer, para conseguir o que quer.
A obra de Rafael pode ser, à primeira vista enganadora, cativando o leitor através da sua própria ingenuidade, mas na verdade, Rafael aproveita-se disso e estupra o leitor sem qualquer proteção contra doenças venéreas.
Esta obra é por isso, uma espécie de orgia humorística, em que nos sentimos assoberbados com uma vontade de a largar e olhar para o autor com repugnância. Mas é exatamente por isso que não conseguimos largar o blogue.
Não há uma história para contar, uma personagem para apoiar. Apenas nós e o Rafael, num clima extremamente íntimo na companhia de um fino retoque de javardice improvisada com recurso a banha de porco.
Dr. Tiago B. Mendonça
Pompoussass’ College da Universidade de Oxford
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Este post surge na sequência do passatempo
So you think you can blog. Pretende-se dar espaço a blogues com poucos seguidores de darem a conhecer os seus dotes. Críticas
tipo Ídolos são aceites. Críticas construtivas são bem-vindas. Visitas e novos seguidores ao blogue mencionado são super-bem-vindos.